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poesia · 55m ago

josé carlos ary dos santos / in memoriam

Requiem aeternam dona eis,Domine, et lux perpetuaLuceat eis.Que a terra lhe seja pesada.Que lhe apodreça o corpo e os olhos fiquem vivos,Se lhe soltem os dentes e a fome fique intactaE a alm...
poesia · 1d ago

eva christina zeller / o mar não conhece o mar

o mar não conhece as profundidadesnenhum azul nem conhece as suas ondaso mar não é soberbo nemmanso nem amargonão conhece o sabor do vento nem da espumao mar não vê nenhum solnem terra nem s...
poesia · 2d ago

luís vaz de camões / verdes são os campos

Verdes são os campos,De cor de limão:Assim são os olhosDo meu coração.Campo, que te estendesCom verdura bela;Ovelhas, que nelaVosso pasto tendes,De ervas vos mantendesQue traz o Verão,E eu d...
poesia · 3d ago

nydia bonetti / caminho

caminho arranhando meus pés sobre as pedrasquentesgostodo som das rodas que se arrastam sobreconcretofatídicas vias [de fato]
poesia · 4d ago

wislawa szymborska / crepúsculo do século

Devia ter sido melhor que os anteriores o nosso século XX.Já não conseguirá sê-lo,tem os anos contados,o passo vacilante,o fôlego curto.Já demasiadas coisas se passaramque se não deveriam te...
poesia · 5d ago

luis muñoz / camisolas

Trocaram entre si a roupanos primeiros dias.A T-shirt negra com os deuses astecas,lembrança de um museu,pelo pulôver fino e em bicode listas amarelas com nervuras azuis.O pólo anil gasto de ...
poesia · 6d ago

daniel francoy / pássaros

Ando a falar de pássaroscomo se não os tivesse afugentadodo quintal e do peitoril da janela,como se soubesse que ave é aquela– seria de rapina? – que vejoem torno dos arranha-céushá tantos a...
poesia · 1w ago

t.s. eliot / o que disse o trovão

(…)Quem é o terceiro que caminha sempre a teu lado?Quando conto, só vejo nós doisMas quando olho adiante na estrada brancaHá sempre outro caminhando a teu lado,Deslizando envolvido num manto...
poesia · 1W ago

rené char / evadne

O estio e a nossa vida éramos uma só coisaO campo devorava a cor da tua saia perfumadaA avidez e o constrangimento tinham-se reconciliadoO castelo de Maubec enterrava-se na argilaEm breve so...
poesia · 1W ago

bernardo soares / apoteose do absurdo

Falo a sério e tristemente; este assunto não é para alegria, porque as alegrias do sonho são contraditórias e entristecidas e por isso aprazíveis de uma misteriosa maneira especial.Sigo às v...