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poesia · 11h ago

álvaro de campos / domingo irei para as hortas na pessoa dos outros

Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros,Contente da minha anonimidade.Domingo serei feliz — eles, eles...Domingo...Hoje é quinta-feira da semana que não tem domingo...Nenhum domingo...
poesia · 1d ago

tereza balté / os mitos

Os nossos gestos passam as palavrasprenunciam-lhes riscos sedimentospartículas pensadas poluídassob a delicadeza com as feridaso fio de sangue impresso nas bainhasa erosão da voz no universo...
poesia · 2d ago

rené char / folhas de hipno

6O esforço do poeta visa transformar velhos inimigos em leais adversários, dependendo toda a fertilidade do porvir do sucesso desse projecto, sobretudo no ponto preciso em que se lança, se e...
poesia · 3d ago

jorge luís borges / a prova

Do outro lado desta porta um homemignora a sua corrupção. À noiteelevará em vão alguma preceao seu curioso deus, que é três, dois, um,e julgará que é imortal. Agoraele ouve a profecia da sua...
poesia · 4d ago

gil nozes de carvalho / no elevador da bica

1O dia contrai na luz a rosa, dore ter um nome e perfumá-losem saber porquê. Lá para o cimoarde firme a mucosa no pátiosujo. Cresce o cheiro, a palmavolta-se no sol esconde o rio,um qualquer...
poesia · 5d ago

wystan hugh auden / blues fúnebres

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,Não deixem cão ladrar aos ossos suculentos,Silenciem os pianos e com os tambores em surdinaTragam o féretro, deixem vir o cortejo fúnebre.Que os...
poesia · 6d ago

pedro oom / autoficção amorosa

Construí-airrealtransparentelúcida     esguia     um mar                            interior na barriga   correias de transmissão nos cabelosOs anéis de Saturno são a força centrí-      fuga...
poesia · 1w ago

bernardo soares / encolher de ombros

Damos commumente às nossas ideias do desconhecido a cor das nossas noções do conhecido: se chamamos à morte um sono é porque parece um sono por fora; se chamamos à morte uma nova vida é porq...
poesia · 1W ago

herberto helder / fonte

VApenas te digo o ouro de uma palavra no meio da névoa,formusura inclinada sobre a descerrada cinzae o frio dos retratos.E espero que a seiva ascenda a um puro gostode reaver tua grave cabeç...
poesia · 1W ago

pedro tamen / e agora: a tua pele

E agora: a tua pele.Revejo: é manso o mar.E sei que o vento corre e que por elese colam no teu corpo lembranças de luar.Descanso: os teus cabelos.Entrego: já é dia.Os caules são serenos, e a...