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poesia · 10h ago

júlio pomar / TRATAdoDITOeFEITO

XIV     A mão é a vulva  entreabrindo-se ao ser penetrada pelo mundoos dedos são o falo tacteando os tépidos lábios que o recebem.A mão ao acordar só quer e pensavoltar lá onde a obra a espe...
poesia · 1d ago

vasco graça moura / quando os dias se movem

usamos nalgumas coisas uma violência simplesisso é romper os símbolos que envidraçam o restomas parte quem amamos quando os dias se movemse escolheu os limites para a pele aderirno fundo de ...
poesia · 2d ago

anna akhmatova / no quadragésimo ano

5.Eu, porém, aviso-vosQue vivo pela última vez.Nem de andorinha, nem de plátano,Nem de canavial, nem de estrela,Nem de água de uma fonte,Nem de repicar os sinos – Virei perturbar as pessoasE...
poesia · 3d ago

joaquim manuel magalhães / ao rapaz que dorme

Ao rapaz que dormesurge o corpo do amor.O que destrói.Pedras sem adeus.Sobre o dia do seu coraçãocai a tribo do crepúsculo.Crescem os braseiros,os sarros, os saques.
poesia · 4d ago

ana hatherly / supremo viajante

Supremo viajanteo sanguepercorre os seus circuitosazuis-vermelho-escurosObedece aos semáforos do existirana hatherlyfibrilaçõesquimera2005
poesia · 5d ago

tiago nené / este obscuro objecto do desejo

8.O que tenta ensaiar esta belezana sua violência prematura, nas linhas do seu submundo.Observo-a como um guarda-nocturnonuma fábrica de relógios, procuro-acom uma fome que me isola de mim. ...
poesia · 6d ago

bernardo soares / átrio (só átrio) de todas as esperanças

Átrio (só átrio) de todas as esperanças, Limiar de todos os desejos, Janela para todos os sonhos (...)Belveder para todas as paisagens que são floresta nocturna e rio longínquo trémulo do mu...
poesia · 1w ago

luís veiga leitão / carta de chamada

Latitude Norte 1 de JaneiroMeu irmão: Porque não vieste?Ando no mar  Sou marinheiroMal sabes o bem que tu perdesteVagamos de porto em portocomo as aves de ramo em ramoPor isso quando te cham...
poesia · 1W ago

josé ángel cilleruelo / bairro alto

1Tudo tem aqui o mesmo abandono:um quarto com janelaspara a rua e um corpo sem desejodiante da chuva. Uma mulher que passa– a luz presa debaixo das meias – e que desaparece, deixao eco de um...
poesia · 1W ago

paulo da costa domingos / circo

Este latagão bebe vinagre,cospe bolas de sabão e sabeleis em que finge que acredita.Com os dentes ao desleixo,dissimula-se sob grande arespatrióticos mas empresariais.No mais, recebe salário...